Nem todas as dores têm cura

terça-feira, 14 de julho de 2009

 

Sempre pensei que qualquer dor tivesse cura.

Que para qualquer dor, um qualquer médico saberia o nome de uma droga que a atenuasse até passar por completo.460831h39l3lnawm

Mas há feridas que não saram, dores que não atenuam, sangue que não pára de escorrer e amores que não se esquecem.

Nem drogas, nem alienação, nem novos amores os arrancam da nossa pele, do nosso pensamento.

Tentamos avançar pela selva que se vai modificando à nossa volta, mas o medo de tropeçar de novo, nas rasteiras sempre novas, dissimuladas, obrigam-nos a andar com cautela.

Confiar de novo torna-se difícil, a entrega mais ainda. E se não nos entregamos, se não confiamos, não somos bons. Desconfiam de nós, acham-nos frios. Mas não compreendem que é a nossa (sempre) última tentativa de proteger o que sobra de um coração ferido de morte.