Sempre pensei que qualquer dor tivesse cura.
Que para qualquer dor, um qualquer médico saberia o nome de uma droga que a atenuasse até passar por completo.
Mas há feridas que não saram, dores que não atenuam, sangue que não pára de escorrer e amores que não se esquecem.
Nem drogas, nem alienação, nem novos amores os arrancam da nossa pele, do nosso pensamento.
Tentamos avançar pela selva que se vai modificando à nossa volta, mas o medo de tropeçar de novo, nas rasteiras sempre novas, dissimuladas, obrigam-nos a andar com cautela.
Confiar de novo torna-se difícil, a entrega mais ainda. E se não nos entregamos, se não confiamos, não somos bons. Desconfiam de nós, acham-nos frios. Mas não compreendem que é a nossa (sempre) última tentativa de proteger o que sobra de um coração ferido de morte.
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